
Afonso nasceu escravo. Crescera de baixo de jugo, desdém e humilhação. Desde cedo as palavras que mais ouvia eram de desprezo. Ele crescia com o coração cheio de feridas e rancor.
O tempo passou, o menino se tornou um homem cheio de amargura, medo e cicatrizes profundas na alma, por seu ar triste e sombrio era vendido, humilhado, pisado e diante dos homens não possuía valor algum.
Quando num dia, um Senhor possuidor de grandes terras, rico e bondoso, viu o pequeno jovem e tomado por compaixão foi ao encontro daquele que o possuía e perguntou o preço que este queria pelo escravo.
A reação do dono foi rir e dizer:
“este que você quer? Ele não vale nada, é um inútil!”. Afonso apenas ouvia e concordava com as palavras do seu Senhor.
O Homem novamente o questionou sobre o valor daquele escravo e por não haver obtido resposta, tirou de dentro do casaco uma grande quantia para comprá-lo. Surpreso, aquele que o possuía sorriu maliciosamente, pensando que o comprador era ingênuo, levava algo sem valor, mas sorriu, por estar ganhando com isso.
Afonso não entendeu nunca ninguém havia olhado para ele daquela forma, ele se questionava: “
porque aquele homem queria tanto comprá-lo!?” Seu coração estava com medo, mas ao mesmo tempo ele se enchia de paz!
O bom Senhor, o levou para sua casa, tirou-lhe os grilhões, deu-lhe um banho, trocou suas vestes sujas, rasgadas por novas e limpas, dignas de um príncipe e o disse para Afonso se preparar para um banquete que haveria a noite.
Afonso cheio de alegria, mas sem entender, fez tudo como seu Senhor havia mandado.
No banquete, com os olhos mais ternos o Senhor disse a Afonso:
“você não é inútil e muito menos sem valor, hoje te entrego sua carta de alforria, agora você é um homem livre e poderá seguir o seu caminho!”
Afonso sem entender, pensava:
“liberdade, eu nunca esperei por isso.”. Com os olhos cheios de lágrimas, se jogou aos pés do seu Senhor e disse:
“por quê? Ninguém nunca teve compaixão de mim? Eu nasci, sou escravo!”. O Senhor com voz mansa disse:
“não, não te comprei para que fosses meu escravo e sim meu amigo”!
Afonso ficou sem palavras e foi tomado por amor que não cabia no seu peito por aquele que o havia resgatado de uma vida sem futuro. E com este amor unido a mais profunda gratidão e a mais intensa alegria Afonso DECIDIU serví-lo, ele agora ESCOLHERA, era LIVRE! Porém deste momento em diante não mais como escravo, mas sim como AMIGO!
“Porém será que, dizendo-te ele: Não sairei de ti; porquanto te ama a ti e a tua casa, por estar bem contigo”.
Deuteronômio 15:16