
Em ruas escuras, becos e ruelas iluminados apenas por luzes opacas, vivem criaturas, escondidas na escuridão, rejeitadas pelo mundo, onde é gerado um ambiente sombrio, frio e triste...
Pessoas com olhos que refletem medo, dor, desilusão... Desesperança...
Vivem ou tentam manter-se vivo em meio a tantas dificuldades, em meio à indiferença das outras criaturas!
Durante a noite que grande parte deles surge, nas sombras, abandonados. De um lado, meninos e meninas degradam seus corpos, de outro, jovens tentam acabar com suas vidas!
Dias de chuva é só abrir os olhos, há muitos tentando se proteger sob os alpendres, alguns ainda se arriscam a se aproximar de outros, mas em troca recebem o olhar desconfiado e a rejeição do mundo!
Ahhhh, meu coração doeu quando percebi isso, quando vi que eu sou tão egoísta, me preocupo comigo, com as pessoas que amo e o resto? Tantas pessoas apenas precisando de um olhar atencioso, de um aperto de mão para não se sentirem invisíveis...
Andamos na madrugada, parando em cada um que encontrava... Uns nos recebiam desconfiados, pensando que aquele alimento que estávamos oferecendo tinha um preço, outros nem deixavam nos achegar, com violência tentavam se defender. Ainda outros, desconfiados, mas depois de conversarmos não resistiam e choravam, demonstrando a alegria de nos ver ali, com aquele olhar, um misto de surpresa e gratidão, felizes por mais uma vez não terem passado despercebidos, mostrando que ainda lá no fundo, há esperança!
Eu tentei, mas não consegui segurar as lágrimas, toda aquela dor, todo sofrimento, mexeu no meu interior, não era pena e sim vergonha de não fazer nada!
Minha vontade nessa hora é de gritar, de chorar... O mundo geme, clama, tem sede, sei que eu não posso mudá-lo, mas posso fazer diferença no meio dele!
Não tenho muito para dar, mas posso oferecer minha atenção, meu abraço, meu ouvido e o bem mais precioso, o amor de Deus, capaz de transformar todas as coisas!!
Ps: Perdoem-me o desabafo, isso é um grito da minha alma devido a coisas que vi nessas últimas semanas e da triste constatação de uma das coisas que mais doem no próximo, a indiferença!