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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Resgate

Afonso nasceu escravo. Crescera de baixo de jugo, desdém e humilhação. Desde cedo as palavras que mais ouvia eram de desprezo. Ele crescia com o coração cheio de feridas e rancor.
O tempo passou, o menino se tornou um homem cheio de amargura, medo e cicatrizes profundas na alma, por seu ar triste e sombrio era vendido, humilhado, pisado e diante dos homens não possuía valor algum.
Quando num dia, um Senhor possuidor de grandes terras, rico e bondoso, viu o pequeno jovem e tomado por compaixão foi ao encontro daquele que o possuía e perguntou o preço que este queria pelo escravo.
A reação do dono foi rir e dizer: “este que você quer? Ele não vale nada, é um inútil!”. Afonso apenas ouvia e concordava com as palavras do seu Senhor.
O Homem novamente o questionou sobre o valor daquele escravo e por não haver obtido resposta, tirou de dentro do casaco uma grande quantia para comprá-lo. Surpreso, aquele que o possuía sorriu maliciosamente, pensando que o comprador era ingênuo, levava algo sem valor, mas sorriu, por estar ganhando com isso.
Afonso não entendeu nunca ninguém havia olhado para ele daquela forma, ele se questionava: “porque aquele homem queria tanto comprá-lo!?” Seu coração estava com medo, mas ao mesmo tempo ele se enchia de paz!
O bom Senhor, o levou para sua casa, tirou-lhe os grilhões, deu-lhe um banho, trocou suas vestes sujas, rasgadas por novas e limpas, dignas de um príncipe e o disse para Afonso se preparar para um banquete que haveria a noite.
Afonso cheio de alegria, mas sem entender, fez tudo como seu Senhor havia mandado.
No banquete, com os olhos mais ternos o Senhor disse a Afonso: “você não é inútil e muito menos sem valor, hoje te entrego sua carta de alforria, agora você é um homem livre e poderá seguir o seu caminho!”
Afonso sem entender, pensava: “liberdade, eu nunca esperei por isso.”. Com os olhos cheios de lágrimas, se jogou aos pés do seu Senhor e disse: “por quê? Ninguém nunca teve compaixão de mim? Eu nasci, sou escravo!”. O Senhor com voz mansa disse: “não, não te comprei para que fosses meu escravo e sim meu amigo”!
Afonso ficou sem palavras e foi tomado por amor que não cabia no seu peito por aquele que o havia resgatado de uma vida sem futuro. E com este amor unido a mais profunda gratidão e a mais intensa alegria Afonso DECIDIU serví-lo, ele agora ESCOLHERA, era LIVRE! Porém deste momento em diante não mais como escravo, mas sim como AMIGO!

Porém será que, dizendo-te ele: Não sairei de ti; porquanto te ama a ti e a tua casa, por estar bem contigo”.
Deuteronômio 15:16

segunda-feira, 9 de março de 2009

Liberdade

Os primeiros raios de sol a fizeram acordar, o calor intenso naquela manhã a fez levantar. Vestiu-se e foi para frente da sua casa.
Ali debaixo daquele alpendre, o vento era quase imperceptível, mas fazia algumas folhas balançarem assim como trazia um leve frescor para aquela manhã tão quente.
Ao redor da sua casa havia apenas um vasto campo, algumas árvores e poucos animais. Ela amava aquele lugar, seu refúgio, seu esconderijo, seu lugar de paz!
Ela gostava de ver a imensidão do céu se unindo ao verde das folhas. Gostava de sentir o cheiro da grama e ver as pequenas gotas de orvalho adornando as pétalas das flores. Perdia o olhar no horizonte, tudo era tão belo e a enchia de paz...
Naquela hora algo a despertou como de um sonho, assustou-se. Era um barulho forte, intenso, não conseguia identificar, quando seus olhos se fixaram nas árvores ao longe e de lá surgiram dois cavalos, fortes, imponentes, correndo pelo imenso campo!
Eles corriam por toda a extensão, cruzavam-se e paravam um diante do outro, como cansados após uma brincadeira.
Seus olhos se perderam naquela cena, a leveza, a liberdade que exalava deles, eram belos e pareciam não se importar com a presença dela, continuavam a correr e brincar pelo campo. Quando de repente, ambos se viraram em sua direção e correram, ela assustada levantou-se e tentou correr para sua casa, mas caiu e colocou os braços sobre o rosto num instinto de proteção. Eles frearam e pararam diante dela, ela devagar tirou os braços e aqueles grandes olhos negros a olhavam, ela sorriu e lentamente se levantou...
Aqueles olhos, por mais assustadores que parecessem emanavam doçura e paz, como também força e segurança. Ela estendeu seu braço tentando tocá-los e ambos receberam o toque.
Logo se viraram e novamente correram pelo campo até que desapareceram por entre as árvores. Ela ficou a pensar em tudo que tinha visto e como um sopro um pensamento surgiu: “assim sou eu, quando optei por seguir-Te, libertou das minhas amarras, dos meus grilhões e me fez livre. Hoje sou livre”!
Fechou os olhos, sorriu e começou a dançar pelo campo, correu, saltou, pulou, até que deitou na grama verde e fofa e com os olhos voltados para o alto aquele pensamento ecoou... Eu sou livre, eu sou livre!