
Enquanto ela estava ali imóvel, era como se visse sua infância diante de seus olhos. Olhava para o lugar onde havia uma árvore, lembrava de como adorava subir nela... Olhava as calçadas e as corridas de bicicleta que fazia com suas amigas. E aquele degrau em frente a sua antiga casa? Quantas histórias e conversas ele ouviu... Ah, se ele falasse!
O amor de infância... Aquele menino? Era como se fosse o único e o último, onde todas suspiravam por ele... E ela sorriu dessas lembranças tão bobas!
Lembrou-se de cada canto, de cada conversa, de cada sorriso, de cada lágrima, eram tantas lembranças que fizeram singelas lágrimas brotarem de seus olhos.
Um vento surgiu naquela hora trazendo o perfume da hortelã que havia no campo ao lado, ela ergueu seu olhar para o céu e suspirou, percebendo que o dia estava exatamente como no dia em que ela foi embora. Um dia nublado, com o sol sem forças, devido as intensas nuvens que o escondiam, além do vento e inverno rigoroso daquele tempo.
Aquela tinha sido sua última lembrança antes daquela rua se tornar parte de sua história, o perfume da hortelã enquanto ela ia embora com o olhar voltado para a casa que ela amava tanto... Mas entendia que o tempo ali havia passado, mas as lembranças ficaram gravadas em seu coração.
Ela, porém, viveu dias felizes em sua nova casa, sua nova rotina e amigos, mas em nenhum momento esqueceu o que passou naquele lugar!
Na verdade aquela era mais uma rua na imensa cidade, não havia nada de especial ali, apenas o fato de ser o lugar onde viveu tantas situações felizes. Talvez fosse simplesmente o tom colorido que uma criança um dia deu aquele lugar e por um momento ela quis voltar aquele tempo, entretanto as imagens e sorrisos daquela época ficaram apenas gravadas na sua memória e no seu coração...